Letter DN-U4wuEyS2wXuI January 28, 2026

Dear para mim,

colocar os sentimentos em palavras sempre vai ser o mais difícil na vida de alguém. pessoas q não os tem de uma forma consolidada não sabem ao certo como expressá-los e nem como realmente senti-los. no momento (dia 28/01/2026 - 02:24) o misto de sentimentos q tenho talvez sejam os mais turbulentos durante meus anos de vida. sinto angústia, solidão, melancolia, saudades, felicidade, incerteza, uma pequena falta de consideração e dúvida. angústia por esse novo ciclo que minha vida terá, uma rodada de chave que, quando virou o ano de 2026, eu percebi no primeiro minuto. solidão, não por não ter a quem recorrer mas sim por não conseguir recorrer a mim mesma, me sinto só por não conseguir me encontrar, como sempre acontece e sempre aconteceu na minha vida, aqueles exatos tempos que sempre vem nem todos os meus anos que a desconexão entre mim e a mim mesma acontece, quando não quero viver e nem morrer, só dar um pause. melancolia por todos os momentos que tive até aqui, com meus amigos, família, mas somente dos momentos bons, dos que me recordo. saudades dos meus amigos, os que fazem o meu coração sorrir e se apertar quando rio com eles, quando xingo eles, quando choro por eles, apenas por me lembrar deles, saudades da minha tia, pensar em minas e me lembrar dela é difícil, assim como foi com a naty não tenho tanta coragem de ir na casa dela e ver meu tio, chegar lá e não ouvir novamente a sua risada. saudades da nataly, dia 25 de todos os meses com certeza é o pior dia que passa, sei que é de cunho ignorante e meio que desprezível mas fico me perguntando se mais alguém da minha vida vai morrer nesse dia. no dia do enterro da nataly, a tia zezé me abraçou dizendo que ia passar, que Deus ia cuidar dela e mais algumas coisas de que não me lembro. um ano depois foi a vez dela de ir. sempre é o maldito do câncer. felicidade por tudo que conquistei e passei durante 17 anos, a quem eu me tornei, com diversos problemas, com diferentes amigos, com pensamentos novos e também realizações que eu jamais imaginei. incerteza do futuro que me espera, o clichê disso é viver o surto dos 17 e chegar lá na frente com outras coisas na vida, até mesmo sem esses pensamentos. uma pequena falta de consideração, por parte do outro e acho que minha, ao passar da vida sempre tive medo de ficar sozinha, mas sempre tentei me manter acreditando. por parte do outro, não tenho o que fazer, a vida ensina que não podemos mudar as pessoas e nem escolher quem faz parte da vida delas, além dela própria. sei do carinho e compaixão que o outro tem por mim, mas fiquei descrente e até decepcionada com essa pequena falta de consideração. não sei, essa é a única coisa que eu não esperava do outro, mas talvez daquele com quem o outro anda. e pela minha parte, acho que sou uma pessoa ruim, ou talvez uma pessoa que se importa demais em manter tudo sempre como está, por mais que as vezes eu apenas doe de mim de maneira ou não sem noção. tudo q eu queria era a normalidade, mas o que seria isso também em uma vida de apenas 17 anos no mundo. acho que nem sei o que seria normalidade. minha dúvida mais recente é "será que algum dia vai importar?" os sentimentos de agora, os amigos, as incertezas, os amores, as decepções. não tem nenhum dia que passa que eu não penso em morrer, mas o meu medo é maior, meu medo é, por mais que morta, querer chorar. chorar pela vida que tive e não tive, por todos os sentimentos covardes que provavelmente me assombraram até o leito da minha morte. não que eu chame por isso, mas não que passe despercebido também. é talvez a única certeza da vida de forma infeliz, ou feliz, ou com dúvidas, ou com medo, ou com a falta e presença de consideração ou simplesmente com a saudade.